No Brasil, a violência armada atinge de forma profunda e desigual a vida das pessoas. E são os homens as principais vítimas, um resultado direto das construções de masculinidades que aumentam a exposição ao risco e à letalidade. Nesse cenário, a desigualdade racial torna ainda mais evidente quem está mais vulnerável: homens negros, principalmente os jovens. É o que revela a 4ª edição da pesquisa “Violência Armada e Racismo: O Papel da Arma de Fogo na Desigualdade Racial”, lançada pelo Instituto Sou da Paz.
56% eram meninos e jovens de 10 a 29 anos
Desigualdade geográfica
No Nordeste, ocorre praticamente metade dos homicídios cometidos com armas de fogo, onde 90% das vítimas são pessoas negras.
No Norte, as taxas também são altas, influenciadas por conflitos territoriais e pela atuação do crime organizado.
Já o Sul é o único lugar onde o número de vítimas negras e não negras se aproxima.
Violência armada não letal também cresce
As notificações aumentaram 59% nos últimos três anos e, mais uma vez, homens negros são as principais vítimas.
Pode o homem negro respirar?
"O projeto de extermínio dos homens negros está relacionado ao processo de desumanização das vidas negras, sendo parte do racismo sistêmico que estrutura as relações raciais no Brasil".
Daniel de Sousa, professor da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro
O que faz um homem (negro) ser morto?
“A violência é íntima dos homens desde a infância e é o meio pelo qual eles aprendem a interagir com outras pessoas, criando terreno fértil que, a partir de outras interações sociais, resultam nos achados deste relatório. “
Wigde Arcangelo, assessor de imprensa do Sou da Paz e mestre em Comunicação Social
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E as mulheres negras?
Entre a população feminina, as mulheres negras seguem entre as mais expostas à violência armada no Brasil, revelando como racismo e machismo se entrelaçam para ampliar riscos e vulnerabilidades a este grupo. Essa realidade reforça a urgência de políticas que protejam e reduzam as mortes também de mulheres negras. Acesse também a pesquisa "Pela Vida das Mulheres: o papel da arma de fogo na violência baseada em gênero", lançada pelo Instituto Sou da Paz em março de 2025.
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